Lamento muito meu caro Nuno Cavaco, mas vai ter de levar novamente em cima, porque cada vez a sua falta de capacidade auto-crítica aumenta mais e tudo escreve, sem qualquer nexo, para tentar iludir os ingénuos e mostrar serviço aos patrões. Resta saber por quanto tempo, mas essa é uma outra estória que acertaremos daqui a uns tempos quando tudo se confirmar.
Entretanto, no Banheirense (olhó link lindinho) Nuno Cavaco decide escrever sobre revisões de PDM e tal, sendo que se negou a participar de forma pública e bem visível numa iniciativa que brevemente – com apoio expresso de figuras públicas locais e nacionais de todos os quadrantes -, para dizer uma conjunto de absolutas incoerências, misturadas com a explícita confissão do que eu acho ser uma política totalmente errada da relação entre o poder público e os interesses privados.
Vejamos os pontos principais da “argumentação”:
- Não há novos PDM’s aprovados porque isso interessa a um número pouco significativo, que terá interesse em manter os anteriores PDM’s porque isso coloca nas mãos dos promotores a capacidade de construírem como bem lhes interessa.
Falso, porque as autarquias podem sempre não licenciar as obras propostas. Para além disso, a argumentação não se percebe porque se são poucos a quem não interessam novos PDN’s como é que eles conseguem bloquear a sua aprovação? Será que o Poder Local Democrático é ineficaz? E logo na Moita onde tem tão boas relações com os “empresários de sucesso” nas palavras de alguém?
- Nuno Cavaco apresenta como grande manobra negocial do poder moiteiro – tenta alastrar a estratégia a todas as gestões CDU talvez por falta de memória, o que se compreende – o facto de exigir contrapartidas aos promotores como “a construção de estradas”.
Esquece-se o hábil analista-técnico-eleito-opinador de referir que na generalidade dos casos essas estradas apenas necessitam de existir para se aceder aos novos loteamentos ou empreendimentos, sendo que os promotores têm todo o interesse em que existam. Veja-se o caso da nova Quinta da Fonte da Prata em que os acessos feitos praticamente só se justificaram exactamente devido à massa de construção autorizada. Ou os “melhoramentos” na EN entre Alhos Vedros e a “Baixa da Banheira”, zona que nem apresentava especial concentração de trânsito e em que os novos acessos são do interesse da superfície comercial aí instalada. E os exemplos poderiam continuar.
Mas o mais interessante é reparar que NC apresenta a construção de estradas como a grande conquista do poder moiteiro. Claro que nunca lhes ocorreria que as contraparttidas passassem por algo mais do alcatrão e rotundas. Era exercitar muito a imaginação.
- Em terceiro lugar, assanha-se o opinador contra os poderes das CCDR’s por serem órgãos não democráticos que têm poder de tomar decisões sobre os PDM’s.
Gostava de saber se os gabinetes técnicos das câmaras ou de estudos que “desenham” os PDM’s também são eleitos. Mas isso nem é o mais engraçado. O engraçado é que enquanto a CCDR foi “amiga”, com uma forma de agir afável e amável para o PDM da Moita, com alguém amigo bem colocado, tudo estava bem. Agora que os ventos sopram agrestes, a coisa muda e clama-se pela regionalização para que as amizades possam ser colocadas em pontos-chave. Espero, ansioso, pela argumentação de os Tribunais, o IGAT e a Procuradoria-Geral da República serem órgãos não eleitos e, por isso, não serem competentes para intervir no bloqueio e suspensão de decisões políticas ilegais ou inconstitucionais. Ao que parece a um aparelhista faz confusão o conceito de divisão de poderes em democracia quando essa divisão não dá jeito. Já para outros casos – Gondomar, Lisboa, Felgueiras, Salvaterra de Magos, etc – provavelmente a opinião será outra.
Por fim, NC investe de forma pouco hábil contra o que chama de especuladores imobiliários, percebendo-se que o alvo da prosa sublinhada a negro é alguém que incomoda o poder moiteiro. Esquece-se o jovem aparelhista que os maiores especuladores imobiliários são aqueles com quem o poder moiteiro estabeleceu protocolos que permitiram multiplicar exponencialmente o valor de certos terrenos.
É interessante esta forma de manifesta cegueira, para não dizer pura desonestidade não vá o homem encrespar-se e vir com ameaças, intelectual em que um negócio de muitos milhões não é especulativo, mas a eventual compra e venda de andares e moradias já o é.
Eu, por exemplo, já recorri por duas vezes a uma agência imobiliária sediada na Moita para mudar de casa e tratar da papelada – a do senhor Maia no Intermarché – e não tive razão de queixa. Será que NC recorreu a outra e não gostou?