... sublinha ilegalidades no Projecto de PDM da Moita e avista-se na Assembleia da República com o Grupo Parlamentar do CDS-Partido Popular
Uma delegação de seis Munícipes, representando muitos outros Moradores e Proprietários que expressamente apoiaram e encorajaram a iniciativa, foi recebida a 14 Novembro 2006 na Assembleia da República pelo Grupo Parlamentar do Partido Popular, CDS-PP.
Estes Cidadãos residem na zona da Várzea da Moita, localidades da Barra Cheia, Brejos da Moita e Rego d’Água, no Concelho da Moita, 20 Kms a Sul de Lisboa.
Na ocasião, aqueles Moradores e Proprietários também visitaram informalmente os Gabinetes dos Grupos Parlamentares do PS, do PSD, do PCP, do BE e do PEV, reiterando a todos os Partidos, sem excepção, o interesse e a urgência de poderem ser aí por eles também recebidos a breve prazo, conforme pedidos de audiência endereçados a cada um dos Partidos a 6 Novembro corrente.
Na audiência com o CDS-PP, que decorreu em clima de cordialidade e de grande preocupação, o Deputado Nuno Magalhães, acompanhado do Assessor do Grupo Parlamentar Senhor Alexandre Barata, manifestou à delegação o facto de há muito o CDS-PP vir a acompanhar com a maior atenção todo o Processo de Discussão Pública do PDM da Moita, e assegurou o vivo empenho também do PP na absoluta necessidade de a maior transparência e o máximo respeito pela Lei deverem naturalmente ser assegurados.
Por seu turno, os Munícipes presentes, todos sem excepção e em múltiplas intervenções, informaram o Grupo Parlamentar do CDS-PP de alguns pontos chaves que mais atormentam as populações da Várzea da Moita em todo este conturbado processo.
E sublinharam vivamente que não move estes Cidadãos nenhuma divergência política face à direcção política da Câmara nem face às opções tomadas em sede de Revisão do PDM.
"Haverá divergências e também concordâncias políticas legítimas e naturais", disseram, "mas não é isso que move as Pessoas, de modo nenhum", sublinharam com ênfase.
"O que move as Pessoas é algo totalmente distinto. Move-as a defesa da lei e a exigência de total transparência em todo o Processo de Revisão do PDM da Moita", disseram.
"Se o caso fosse de discordância política, não seria nem justo nem razoável pedir a intervenção da Assembleia da República em matérias da competência do Poder Local, nem a lei o permitiria tampouco", sublinharam.
"O que nos move são fundadas preocupações das Pessoas sobre a mudança fora da lei de centenas e centenas de hectares de Solo Rural para novo Solo Urbano, que só para novos Fogos e nova Indústria cresce cerca de 395 hectares, ou seja cerca de mais 50%, ao arrepio e em grosseira violentação do Decreto Lei 310/2003 de 10 Dezembro, nomeadamente do seu Artº 72º, nº3" afiançaram.
"Também move as Pessoas a defesa genérica da Reserva Ecológica concelhia", disseram.
É um facto incontornável que no Projecto de novo PDM da Moita, e para além da importante passagem de Solos Rurais a novo Solo Urbano sem sustentação legal, a Reserva Ecológica Nacional é largamente amputada, com desclassificações de REN em cerca de 460 hectares, lá onde a REN é determinante e a sua perda é uma perda ambiental total.
Os Moradores explicaram que se opõem à deslocação artificial da REN das zonas onde está actualmente, de acordo com a Portaria nº 778/93 de 3 Setembro, para cima das suas Propriedades e Habitações na parte Sul do Concelho da Moita, onde o novo PDM pretende classificar cerca de 900 hectares como nova REN.
Explicaram ainda que "As nossas terras fervilham de vida, de casas construídas dentro da lei e com um ordenamento paisagístico equilibrado, são terras de ganha-pão de centenas de Pessoas ocupadas com a hortofrutícultura e a pecuária. A REN para aí deslocada é um erro e uma desnecessidade, a permeabilidade dos Solos há muito que está aí salvaguardada", disseram.
"O ganho ambiental será Zero, o prejuízo para as Famílias será 100", explicaram.
"Mais importante que tudo, o Processo de elaboração e o conteúdo do novo PDM ofende a inteligência das Pessoas, é um baú cheio de erros, de ilegalidades e de escuridão, onde a transparência parece não existir", acrescentaram.
Sobre este aspecto, os Moradores e Proprietários informaram que as Populações estão muito descontentes, e deram o exemplo dos jogos de futebol onde o resultado de 3-0 é decidido da véspera em jantar privado, e não no próprio jogo dentro das 4 linhas.
"Os jogadores fazem figura de "totós", o resultado é pré-fabricado, e isso não pode ser!", disseram com exasperação.
"Vem o exemplo ao caso porque há noutras terras e noutros lugares, sabe-se de histórias de outros Países, onde houve Projectos de novos PDM’s que se descobre afinal terem sido entortados a martelo ao longo dos anos da sua elaboração, com pancada daqui, pancada dali, ao sabor de arranjos e protocolos de bastidor entre elementos chave do investimento e da decisão política dessas terras", explicaram.
"Isso não será o caso, nem nunca poderá ser o caso na Moita", clamaram.
Contudo, os Moradores pediram ajuda ao Grupo Parlamentar do CDS-PP para o máximo esclarecimento de todas as dúvidas que correm no Concelho, onde terras houve que foram compradas em REN e que em 5 anos valorizaram perto dos 3370% (três mil trezentos e setenta por cento).
Noutros casos, disseram, "Propriedades em REN foram objecto de garantias hipotecárias a rondar os quase 5 milhões de contos, e noutros ainda parecem ter-se consubstanciado aparentes pagamentos muito bizarros interrelacionáveis, em géneros".
"Dúvidas sobre tais situações não são compatíveis com a vida em democracia nem com a normal tranquilidade dos Cidadãos", disseram a finalizar.
Na ocasião, os Moradores entregaram ao CDS-PP o documento síntese Mas o que é que se passa afinal com a Revisão do PDM da Moita?