... é mais fácil percebermos onde estão as antigas linhas de água que desaguavam no estuário do Tejo, através das planuras ribeirinhas.
Por mera curiosidade, há muitos, muitos anos, aprendi por razões profissionais a interpretar fotografias aéreas e imagens de satélite.
Mas neste caso nem é preciso grande qualificação.
As imagens disponíveis no Google-Earth para a nossa freguesia e concelho foram claramente recolhidas durante o Verão ou durante um período de tempo seco.
Do ar, nestas circunstâncias, tornam-se claramente visíveis as zonas de maior humidade, porque mantêm uma tonalidade verde, mesmo quando tudo ao redor está amarelo.
Neste caso, temos a zona alargada da Fonte da Prata, onde se prevê o desenvolvimento de mais loteamentos para construção e usos múltiplos.
Repare-se como uma das antigas zonas de ribeiro passa a poente da antiga Novobra, actual MercMoita, enquanto outra contorna por nascente o palacete da
Fonte da Prata e se dirigem para o Tejo.
Claro que os técnicos sabem que esta zona é extremamente húmida no subsolo e obviamente que quem aí vai construir o fará com as devidas precauções.
Como também é natural que a impermeabilização do solo não será feita de modo a ignorar que estas pequenas e quase imperceptíveis depressões do terreno se prestam muito a deslizamentos ou afundamentos do solo (bastam 2/3 cm para fazer bons estragos), à abertura de crateras em artérias alcatroadas e mesmo a danos na estrutura dos edifícios quando a humidade aumenta e a terra por baixo das construções se lembra daquilo para que servia no passado (captação e escorrência das águas pluviais, por exemplo).
E, claro, há sempre aquele pormenor das inundações onde menos se espera, quando chove “mais do que a média” e o sistema de escoamento de origem antrópica (gostei desta expressão, que aprendi com um nosso leitor amigo e uso-a sempre que posso) só foi feito a pensar na média.
Mas, obviamente, tudo isto está contemplado nos estudos que projectam construção a galope para esta área.
Nem outra coisa é de imaginar.